Oscar Niemeyer tem 14 obras tombadas no Rio de Janeiro pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). Eu trabalhei em uma delas. De 2008 a 2010, fui estagiário de jornalismo no Jornal do Commercio, localizado no que já foi a sede da revista O Cruzeiro. O prédio, construído em 1949, fica na Gamboa, zona portuária do Rio de Janeiro. Segundo a Fundação Oscar Niemeyer, o projeto tinha como objetivo integrar estacionamento de veículos de carga, oficinas e um depósito de papel diretamente ligado a todos os andares por monta-cargas especiais (nunca soube disso).
Havia duas entradas separadas — uma principal e outra pela garagem. Eu sempre entrava pela garagem, mas isso é pauta para outro texto.
Durante a pesquisa para este texto, que é só um “causo” bobo, descobri que Niemeyer planejou para o edifício salas para assistência médica, dentária, cursos técnicos, etc. Não peguei a melhor fase do prédio.
O prédio, hoje abandonado, é lindo.

A Fundação Oscar Niemeyer detalha em seu site: “A fachada lateral, que corresponde às oficinas, será toda envidraçada e provida de uma colmeia de cerâmica, cuja finalidade será evitar a incidência direta do sol nas salas de trabalho (9h às 11h). A fachada principal será constituída por um brise-soleil horizontal, que terá como elemento de proteção a mesma finalidade.” A gente conhece essa colmeia de cerâmica como cobogós.
Dito isso tudo, o prédio tinha a peculiaridade de ter dois “meios andares”. Eu trabalhava no 4º andar e meio, e havia ainda o 7º andar e meio — com indicação no elevador e tudo mais. O papo que ouvi: foi a forma que Assis Chateaubriand (dono dos Diários Associados) encontrou para burlar o limite de gabarito da região. Não encontrei nada sobre isso nas minhas pesquisas para este texto.
Só sei que o fato de trabalhar no 4º andar e meio me fazia sentir dentro do filme Quero Ser John Malkovich (1999), em que os personagens trabalhavam no andar 7½, cuja altura era a metade de um andar normal. Eu não tinha que andar curvado como os personagens do filme — seria a extrema precarização da profissão de jornalista — e nunca descobri uma portinhola para a cabeça do John Malkovich (sinopse do filme).

Mas um dia consegui acesso rápido à sala de arquivos de imagens dos Diários Associados. Peguei uma foto a esmo e lá estava o Miele em alguma atividade. Devolvi. Peguei outra e acho que vi o Simonal.
Me pergunto o que fizeram com esse acervo após o fim do Jornal do Commercio e a mudança de sede.
Fontes:
https://www.oscarniemeyer.org.br/obra/pro031
https://www.ipatrimonio.org/rio-de-janeiro-edificacoes-de-projeto-de-oscar-niemeyer/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Assis_Chateaubriand
https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Cruzeiro
https://www.imdb.com/pt/title/tt0120601/
https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/21.167/8192?utm_source=chatgpt.com

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