Texto escrito originalmente no LinkedIn
Em 22 de maio do ano passado, fui à entrega do título de Cidadão Honorário do município ao Dr. Paulo Duarte de Carvalho Amarante. A solenidade, convocada pela então vereadora Luciana Boiteux (PSOL-RJ), aconteceu na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e foi um reconhecimento pelo trabalho de Paulo Amarante pela Saúde Mental no município do Rio de Janeiro e no Brasil. Fui com o objetivo de escrever uma matéria para a entidade onde trabalho hoje, que é voltada para a Saúde Coletiva. Leia aqui a matéria que escrevi na época.
Nesse texto, quando falo de Saúde Mental, falo principalmente do Movimento Antimanicomial, que é uma das bandeiras de Paulo Amarante e dos ativistas presentes. Como aponta a Wikipedia, o movimento “luta pelos direitos das pessoas em sofrimento mental e advoga pelo fim da lógica manicomial nos cuidados em saúde”. Eles são contra manicômios e a lógica do encarceramento de pessoas em sofrimento mental, porque esses lugares acabam se tornando outro tipo de prisão para as pessoas mais vulneráveis da nossa sociedade. Se quiser se aprofundar no assunto, recomendo o livro e documentário Holocausto Brasileiro, de Daniela Arbex.
(Hoje em dia, as chamadas Comunidades Terapêuticas estão assumindo esse espaço que era dos manicômios.)
Tentei escrever um texto sóbrio para uma noite que foi marcada por celebrações. Na época, queria ter escrito dois: um sobre o Paulo e outro sobre os ativistas e entidades da Saúde Mental presentes. E qual é a razão de trazer esse tema justamente para o LinkedIn, que não trata do tema saúde mental se não for a partir da ótica do indivíduo (burnout, TDAH, etc.)? Porque uma das coisas bacanas do trabalho do jornalista é conhecer realidades novas e tentar “traduzir” o que viu e aprendeu para outras pessoas. E trago o assunto Saúde Mental a partir da ótica do coletivo.
E enquanto estamos nessa rede (e nas outras) postando conteúdo, interagindo, mostrando de alguma forma que estamos aqui e que existimos, durante a cerimônia foi interessante ver profissionais e ativistas pela Saúde Mental que advogam em prol de pessoas que querem mostrar que existem para a sociedade. É como se as pessoas em situação de vulnerabilidade estivessem em uma condição ainda anterior a se manifestar em rede social. Elas ainda estariam no estágio de mostrar que são pessoas pensantes e que merecem ser reconhecidas pela sociedade como indivíduos.
E, tanto quanto a trajetória de Amarante na luta pela Saúde Mental, foi bacana ver o grau de diversidade do Movimento Antimanicomial. É uma luta colorida e diversa. Estavam presentes acadêmicos de universidades e pesquisadores da Fiocruz (incluindo o presidente Mário Moreira), blocos carnavalescos como o Loucura Suburbana e o coletivo Carnavalesco Tá Pirando Pirado Pirou, representantes do museu Bispo do Rosário e do Museu de Imagens do Inconsciente e movimentos que atuam pela redução de danos no uso de álcool e drogas, como Espaço Normal, Coletivo Brisa e Associação Brasileira de Redutoras e Redutores de Danos (Borda). Entendi que alguns dos presentes já foram pacientes e hoje são atores e ativistas pela Saúde Mental.
Links:
- https://cebes.org.br/paulo-amarante-recebe-titulo-de-cidadao-carioca-em-reconhecimento-a-luta-antimanicomial/33625/
- https://www.flickr.com/photos/camarario/albums/72177720317226368/
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_antimanicomial
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Hospital_psiqui%C3%A1trico
- https://www.flickr.com/photos/camarario/albums/72177720317228499/with/53740243243
- https://www.instagram.com/tapirandopiradopirou/
- https://tapirando.org.br/
- https://www.instagram.com/loucurasuburbana/
- https://www.loucurasuburbana.org/
- https://www.redesdamare.org.br/br/eixos/8/espaco-normal
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Comunidade_terap%C3%AAutica


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